Escola que recebeu R$ 1 milhão do governo leva disputa política à avenida no Carnaval do Rio
- 15 de fev.
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O desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro gerou forte repercussão ao transformar a Marquês de Sapucaí em palco de encenação política. A agremiação, que recebeu cerca de R$ 1 milhão em recursos públicos, apresentou um enredo com referências diretas à trajetória recente da política nacional, exaltando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e retratando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como o palhaço “Bozo”.

Um dos carros alegóricos trouxe a figura de um palhaço preso, com tornozeleira eletrônica danificada, em clara alusão a Bolsonaro. Em diferentes momentos do desfile, o personagem apareceu repetindo o gesto de “arminha” com as mãos, marca registrada do ex-presidente e de seus apoiadores.
A comissão de frente também encenou episódios marcantes da política brasileira. A apresentação começou com um ator representando Lula passando a faixa presidencial para Dilma Rousseff (PT), numa referência à eleição de 2010. Em seguida, o personagem que simbolizava o ex-presidente Michel Temer (MDB) surge retirando o adereço de Dilma, numa alusão ao impeachment ocorrido em 2016.
O desfile ainda destacou o retorno de Lula ao Planalto em seu terceiro mandato. O último carro alegórico exibiu um grande boneco do presidente com a faixa presidencial, simbolizando sua volta ao cargo.
Antes do evento, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou uma ação que questionava o desfile e sua transmissão televisiva. Os ministros entenderam que não seria possível classificar a apresentação como propaganda eleitoral antecipada antes de sua realização, mas ressaltaram que a decisão não representava “salvo-conduto” e que o conteúdo poderia ser avaliado posteriormente, caso houvesse questionamentos formais.
A apresentação reacendeu o debate sobre os limites entre liberdade artística e uso de recursos públicos.




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