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Rejane assume Prefeitura e enfrentará cenário político instável em Joinville

  • 3 de abr.
  • 2 min de leitura

A troca no comando da maior cidade de Santa Catarina aconteceu ontem em Joinville, mas longe de representar apenas uma transição administrativa. Com a saída de Adriano Silva, que deixa o cargo nesta quinta-feira (2) para disputar a eleição como vice-governador na chapa de Jorginho Mello, quem assume é a vice-prefeita Rejane Gambin.



Com passagem pela televisão e experiência na área de comunicação, Rejane construiu sua trajetória pública ainda no governo Carlito Merss, quando atuou na Secretaria de Comunicação. Agora, chega ao principal cargo do Executivo municipal em um momento delicado, com desafios que vão muito além da gestão cotidiana.


A nova gestão também herda problemas. Obras como a Ponte Joinville e o Palácio das Orquídeas estão atrasadas. A falta de professores auxiliares na Educação e a gestão do caos de moradores de rua, também estão entre os principais problemas. Soma-se a isso uma extensa lista de empréstimos contratados ao longo da gestão Adriano Silva, que levanta questionamentos sobre o endividamento do município e pode limitar a capacidade de investimento futuro, colocando ainda mais pressão sobre a administração que agora se inicia.


Mas o principal ponto de tensão deve ser a relação com a Câmara de Vereadores. Até aqui, o governo Adriano contou com ampla base e pouca resistência, tendo em Cleiton Profeta (PL) praticamente a única voz de oposição mais incisiva. Esse cenário, no entanto, tende a mudar.


A proximidade da eleição para a nova mesa diretora da Câmara, no fim do ano, somada à corrida antecipada pela Prefeitura em 2028, deve alterar o comportamento de muitos vereadores. A tendência é de um Legislativo mais fragmentado, com disputas internas e menor alinhamento automático ao Executivo.


Nem mesmo dentro do Partido NOVO, legenda de Rejane, há consenso sobre seu protagonismo. Nos bastidores, cresce a avaliação de que a vice-prefeita não terá apoio unificado da sigla para uma eventual candidatura futura. Pelo contrário: nomes do próprio partido já se movimentam.


Entre eles, os vereadores Neto Petters e Érico Vinícius aparecem como possíveis postulantes ao Executivo municipal, o que evidencia uma disputa interna que pode se intensificar ao longo dos próximos meses.


Além disso, surge no radar político o nome de Cleverson Siewert, atual secretário da Fazenda do governo Jorginho Mello. Com trânsito tanto no PL quanto no NOVO, ele desponta como uma alternativa com potencial de unificar forças e, ao mesmo tempo, ampliar a concorrência dentro do grupo político hoje ligado à Prefeitura.


Diante desse cenário, Rejane Gambin inicia sua gestão cercada por incertezas. Mais do que administrar a cidade, terá que lidar com um tabuleiro político cada vez mais complexo, onde alianças são frágeis e a disputa pelo poder já começou, antes mesmo de 2028 entrar oficialmente no calendário eleitoral.

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