Moradores de rua dominam debate em sessão da Câmara de Joinville
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A sessão desta segunda-feira na Câmara de Vereadores de Joinville foi dominada por um tema que vem ganhando cada vez mais espaço no debate público: a situação dos moradores de rua e seus impactos na cidade. Praticamente todos os parlamentares se manifestaram, evidenciando não apenas a gravidade do problema, mas também as diferentes visões sobre como enfrentá-lo.

Foto: Mauro Arthur Schlieck
De um lado, os vereadores Cleiton Profeta e Wilian Tonezi, ambos do PL, adotaram um tom mais crítico à condução da política de assistência social no município. Ambos pediram a exoneração da secretária Fabiana Cardozo, apontando que a atual gestão segue diretrizes alinhadas ao governo federal. Profeta destacou que episódios recentes — como o apedrejamento do carro de um assessor do deputado Sargento Lima e o caso de um morador de rua que defecou em via pública em frente a um estabelecimento ligado ao deputado Fernando Krelling — não são fatos isolados, mas consequência direta das políticas adotadas.
Na mesma linha, Tonezi reforçou a defesa de seu projeto que propõe restringir a instalação de equipamentos como Restaurantes Populares em áreas residenciais e próximas a escolas. Para ele, essas estruturas deveriam ser deslocadas para regiões mais afastadas, como a zona industrial ou margens da BR-101.
Profeta também chamou atenção afirmando que a cidade estaria inovando ao "criar" um “banheiro a céu aberto”, diante da frequência de tais situações envolvendo moradores de rua utilizando locais públicos para "suas necessidades".

Em contraponto, o presidente da Câmara, Diego Machado (PSD), reconheceu os problemas levantados, mas atribuiu parte significativa da crise à falta de efetivo policial. Em tom crítico ao Governo do Estado, afirmou que Joinville estaria desassistida na área da segurança pública.
Já o vereador Neto Petters (NOVO) defendeu a permanência do Restaurante Popular em sua atual localização, sugerindo como alternativa o reforço da segurança no entorno, com a instalação de uma base da Polícia Militar ou da Guarda Municipal. A proposta foi rebatida por Tonezi, que a classificou como "conversa para boi dormir".
Outros vereadores adotaram uma postura mais moderada. O vereador Instrutor Lucas (PL) destacou o trabalho das forças de segurança, reconhecendo a falta de efetivo, mas afirmando que medidas estão em andamento no âmbito estadual. Ele também citou o programa “Recomeçar”, inspirado em iniciativas de Chapecó, como alternativa para enfrentar o problema.
Na sequência, o vereador Érico Vinícius destoou do debate ao não abordar o tema central da sessão, optando por falar sobre um evento cultural japonês realizado na cidade.
A discussão também avançou para outras consequências da crise urbana. Os vereadores Henrique Deckmann e Pelé, ambos do MDB, trouxeram à tona o aumento de furtos de fios, que tem deixado ruas e praças às escuras. Já Vanessa Falk (NOVO) destacou que a solução do problema envolve não apenas o Legislativo e o Executivo, mas também o Judiciário. As vereadoras Tânia Larson (UB) e Liliane da Frada (Podemos) focaram na questão da dependência química como fator central da crise.
O tema, considerado hoje o principal debate da cidade, também revelou o pano de fundo político que se desenha para os próximos anos. Com eleições se aproximando e diversos vereadores de olho em cargos estaduais e federais, além da disputa em 2028 pela Prefeitura, o assunto tende a ganhar ainda mais protagonismo.
O próprio Diego Machado (PSD) chegou a esboçar uma proposta de gestão, afirmando que, se estivesse como prefeito, reduziria a máquina pública para investir em bases fixas da Guarda Municipal em diferentes regiões da cidade. A fala, no entanto, ocorre em contraste com decisões recentes do próprio Legislativo. No ano passado, Joinville ampliou sua estrutura administrativa, criando cargos e aumentando despesas em cerca de R$ 100 milhões por ano, concedendo reajustes expressivos ao alto escalão — medida que, inclusive, gerou questionamentos do Ministério Público. À época, entre os vereadores, apenas Cleiton Profeta (PL) se posicionou de forma contrária às propostas.
Vale lembrar que no início de 2025, foi apresentado um pedido de CPI para investigar a ONG responsável pelos serviços voltados à população em situação de rua em Joinville. A entidade já havia sido citada em um suposto caso de corrupção em Florianópolis, o que levantou questionamentos sobre sua atuação no município, além dos próprios fatores que contribuíram para o crescimento do problema na cidade. O pedido, no entanto, teve adesão limitada: apenas os vereadores Cleiton Profeta, Wilian Tonezi e Instrutor Lucas, todos do PL, assinaram a solicitação.




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